segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Pendências

Cinco anos atrás, pouco depois de ter me aposentado, promovi na minha casa uma série de encontros durante uma semana inteira. Sem temas ou pautas definidas, foram encontros para conversar, para apresentar pessoas, para promover reflexão e propiciar ideias! E, especialmente, para passarmos juntos momentos agradáveis. Foi o que aconteceu. Foi uma semana intensa de encontros alegres e agradáveis. Terminei a semana exausta, feliz e cheia de ideias! Louca para dar continuidade à minha habilidade de unir pessoas e otimista de que conseguiria encontrar, em algum momento, uma forma até de ganhar algum dinheiro com isso e complementar a minha renda de aposentada. 
Cinco anos se passaram e eu não retomei os encontros. Está certo que houve a pandemia. E a pandemia é sempre uma resposta justa para muitas coisas! Adiamentos, desistências, mudanças de rumo, depressão...Aconteceu também a morte do meu pai e, acho que pela primeira vez depois de muitas perdas, me permiti viver um tempo de luto. Tivemos quatro anos de governo Bolsonaro e isto talvez justifique tanto quanto a depressão, o desânimo... 
Cinco anos se passaram e agora me encontro em outro momento: Completei dez anos de terapia; estou participando do planejamento do casamento da minha filha, e me surpreendendo com quanto isto me emociona; tenho agora perto de mim um garotinho marrento que me chama de vovó e que vez por outra vem bagunçar minha casa, desafiar minhas regras e derrubá-las com a maior facilidade, me surpreender com pequenas e grandes descobertas, encher meu coração de ternura e garantir que continuamos presentes. 
Mas, por mais desculpas e sentidos que eu encontre na protelação desta e de outras ações, não consigo deixar de pensar em por que tenho tantas pendências? Tenho uma pasta de pendências cheia de papéis que me lembram coisas que eu gostaria de fazer ou que em algum momento eu me comprometi a fazer e nunca fiz. Algumas destas coisas, talvez até todas elas, podem vir a não ser feitas nunca. Na maior parte dos casos não tem ninguém me cobrando para fazê-las. Na totalidade não acontecerá nada de grave se eu não as realizar nunca. Então, porque eu não retiro da pasta? Ou porque eu não me coloco em ação?
O que me segura? 

sábado, 19 de março de 2022

Dois anos de Francisco!

Dois mil e vinte já começou estranho... 

Bolsonaro presidente, uma doença estranha aparecendo no mundo, meu pai dando mostras de que a idade agora estava pesando...

O nosso garoto tão aguardado, sentindo o clima, sentou! E não houve o que a mãe esforçada fizesse que mudasse isso: cambalhotas na piscina - com frio ou com sol - exercícios orientados... nada! O moço estava decidido! Daqui não saio! Não por minha vontade! 

Mas a gente precisava desta carinha séria para nos alegrar! E você chegou junto com o aviso de que vivíamos uma pandemia. No dia de São José. Nascido no Butantã, - na USP, como diziam os meninos do Avizinhar - sem muita vontade de deixar a segurança do ventre materno, mas era hora e você chegou!!!!!

Bem-vindo Francisco!!!!!! Para alegrar nossas vidas, para bagunçar nossas casas, para nos lembrar como é bom ter crianças por perto; para infernizar a vida do gato que continua por perto mesmo tendo o rabo puxado; para nos garantir que seguimos, que continuamos vivos, mesmo quando nos despedimos fisicamente.

Feliz aniversário, meu amorzinho!!!! Que Deus te abençoe sempre e que nos dê - aos adultos que te cercam - sabedoria e equilíbrio para te educarmos pelo exemplo e sempre com amor. Que você nunca perca esta energia e alegria que são tão suas! Te amo!!!! 








domingo, 6 de março de 2022

Livros de fevereiro

 Fevereiro, mês curto, de calor e preparação para o carnaval... o calor demorou a chegar e o carnaval, ao menos formalmente, foi adiado... eu não li muitos livros, mas chorei com todos eles... 

Tudo é Rio, de Carla Madeira me surpreendeu. Não sei porque fui com um pé atrás... achei lindo. Chorei muito no final, que na verdade me pareceu fantasioso, mas me tocou... achei que os grandes temas do livro são o amor e o perdão. O que é possível perdoar? 



Ainda enxugando as lágrimas de Tudo é Rio, parti para o próximo da mesma autora. Masoquismo? Deve ser... mais um rio de lágrimas... outra vez o amor, a paixão, a vingança, o perdão, as consequências...  Véspera, de Carla Madeira.



Este eu sabia o enredo e mesmo assim resolvi ler. Vista Chinesa, de Tatiana Salem Levy. O relato, com detalhes e contado exaustivamente, de um estupro. 



Não foi para fechar o mês porque a ordem aqui está incorreta... finalmente, o tão falado A Pediatra, de Andrea Del Fuego. Irritante? Achei bastante. Não sei se gostei, mas também não desgostei demais, porque li até o fim... 


E lá se foi fevereiro. O calor chegou com força, teve feriado de carnaval e alguma folia, a pandemia parece arrefecer pelo menos em São Paulo e começou mais uma guerra, das grandes, não que as pequenas sejam menos tristes.  


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Livros de janeiro

 Comecei o ano lendo bastante! Não sei muito bem se  foi porque tive mais tempo livre (tive mesmo porque reduzi bastante a minha atuação no Butantã e a pandemia restringiu bastante os meus encontros com amigos) mas acho que foi também porque fechei o ano e  comecei janeiro com um livro apaixonante:


Pachinko, de Min Jin Lee, é uma saga familiar. Uma pequena família coreana, a jovem Sunja e sua vida e a de seus filhos. A cultura oriental coreana e japonesa (Sunja se muda para o Japão), a guerra, as dificuldades, os preconceitos. Uma história linda e, felizmente, longa! 

Depois de um livro arrebatador acho sempre difícil escolher o próximo. Para não perder o ritmo peguei um pequenino do Valter Hugo Mãe: 


Serei sempre o teu abrigo, é uma pequena história doce e delicada. Como todas as do VHM também um pouco triste. Mas bonita e para ler em uma tarde. 

Estava me preparando para a leitura do novo romance do Mãe, que pedi e ganhei no natal:


As doenças do Brasil. Foi difícil. Achei por um momento que não ia conseguir terminar o livro. Demorei para me habituar e para gostar da linguagem, me senti irritada com a impressão de que não estava entendendo nada. A partir do quarto ou quinto capítulo o livro parece ter me envolvido mais e daí não tive mais vontade de abandoná-lo. Longe de ser o meu preferido dele - A Máquina de fazer espanhóis e O remorso de Baltazar Serapião ainda são os meus preferidos - As doenças do Brasil é interessante. Talvez mais duro ainda porque vivemos em tempos tão doentes neste país...

Para dar um alívio e porque queria participar de uma conversa em um clube do livro, o próximo livro veio sem que eu tivesse muita informação ou expectativa:


O Lugar, de Annie Ernaux. Li em um domingo de sol. E não que ele seja um livro solar, porque é um livro sobre relação e ruptura de pai e filha, assunto que nunca é leve pra mim. Me apaixonei. Lindo, de leitura que segura e encanta. Li de uma vez porque ele é pequeno, mas também porque não consegui largar. Foi o segundo preferido do mês. 

Mas, parece que eu tinha desafios a me impor para este começo de ano. Resolvi reler, já que li há décadas e não lembrava de nada:

A paixão segundo GH. Eu não achei que seria fácil, afinal, quem diz que Clarice Lispector é fácil? Mas, foi BEM difícil. Fui movida pela sugestão de uma amiga de que eu não procurasse entender, apenas sentisse... ok... mas no início - depois de um primeiro capítulo maravilhoso em que me reconheci, me senti esperta (achei que estava entendendo tudo!) e acreditei que não seria assim tão difícil - o sentimento que me dominava era o nojo!!!! Acostumei. Superei. Mas aí o sentimento mais forte era de que minha inteligência não dava pra tanto! Movida pela ideia de sentir mais do que racionalizar, dei sequência. As vezes aflita, as vezes angustiada, muitas vezes impaciente. Valeu a pena, claro! Acho que gostei mais décadas atrás - talvez eu estivesse mais aberta aos sentimentos e menos preocupada em entender - mas claro que gostei desta vez. Não será meu livro de cabeceira, no entanto, talvez eu ainda volte a ele.

Para fechar o mês, achando que eu conseguiria relaxar um pouco:


Pequeno, porém pesado? Bonito, interessante, bem escrito, e duro. Bem duro. A leitura corre fácil. Não dá sensação de estranhamento de linguagem nem de não estar entendendo nada. Gostei dos personagens, me senti nos rochedos da costa do Pacífico colombiana. Adivinhei o final errado algumas vezes. Acertei no fim. Leia. Me diga o que achou.

Provavelmente não manterei esta média de leituras mensais. Seis livros não é o que eu costumo ler de jeito nenhum. Li tanto porque tive tempo, porque dei sorte nas escolhas e porque vários deles são bem curtinhos. Mas o primeiro de fevereiro está me encantando... conto no fim do mês se alguém quiser saber.


sábado, 17 de julho de 2021

Anos extraordinários

O ano passado foi um ano extraordinário. No sentido de começar já com reviravoltas e mudanças de curso. Meus objetivos iniciais eram de fazer longas caminhadas, visitar museus e exposições, ler muitos livros, planejar e fazer viagens, olhar mais para mim...

Já comecei levando um tombo em uma das primeiras caminhadas! Torci o pé, esfolei o joelho, me senti lenta, pesada e velha. 

Confusa  com horários e com a escolha de como ocupá-los, em uma rara quinta-feira em que falhei com a minha visita semanal ao meu pai recebi um telefonema dele assustado, triste, nervoso, amedrontado. 

Era final de janeiro e meu nem sempre bom, mas sempre amado pai, veio para minha casa. Para passar aqui comigo os seus últimos meses. É com a dor desta saudade imensa que escrevo. Não é este o tema deste texto, mesmo que ele margeie ou povoe tudo o que eu penso e sinto agora.

A partir daí um trator de fatos e emoções parece ter passado por cima de mim. E por cima do mundo. Emoções, aprendizados, sustos, surpresas, alegrias, tristezas, conquistas e fracassos. 

No ano da marmota, em que todos os dias pareciam iguais, a vida foi se transformando. Por baixo dos acontecimentos de maior impacto ou de maior visibilidade, muitas camadas de peles, de sentimentos, de ideias, de convicções foram se alterando, quase que imperceptivelmente...

Agora, momento em que o mundo parece querer voltar ao normal e as pessoas falam disso observando quais serão as diferenças nos padrões de comportamento e em quanto o a vida estará e será diferente, começo a me deparar com a maior mudança de todas. A mudança não é no mundo, não é nas pessoas, não é no meu cotidiano. Continuo vivendo o dia da marmota. Não me incomoda viver o dia da marmota. O dia pode ser muito parecido com o ontem, o cotidiano pode ter as mesmas marcas, mas eu não sou a mesma. E isso faz com que cada dia seja diferente porque a cada dia eu me descubro um pouco e a cada dia eu aprendo um pouco a viver com as diferenças da minha vida e como elas repercutem em mim.


sábado, 19 de dezembro de 2020

Livros 2020

Livros que eu li em 2020, este ano tão difícil... Só o fato de terem sido lidos já significa que gostei. Que de alguma forma me seguraram e fizeram sentido. Não insisto com livros que não me seguram. As vezes insisto um pouco, como fiz com "A Peste" neste ano, mas ele não entrou aqui porque não foi... tentei. Talvez em outra hora. Não consigo comentar um a um. Dificuldade em lidar com o blog. Não estão em ordem nenhum. Nem de leitura, nem de preferência, embora a primeira imagem seja d'A elegância do Ouriço, que talvez seja mesmo o meu livro preferido na vida! Tanto é que neste ano eu reli, coisa que não costumo fazer. Mas, vamos lá... comente! concorde ou discorde. Vou adorar!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sonhos de adulta

O que você sonhava ser quando criança?

Fui surpreendida pela pergunta. E fiquei embasbacada por não saber responder. Não sonhava nada?! Lembrei do sonho do meu irmão, que desenhava a sua fazenda, com criação de gado, cavalos, lago, casas, plantações. Inclusive uma plantação de linguiças! Um sonho grande, organizado... e que me deixava apreensiva. Tão pequena e me lembro claramente da angustia que sentia pensando que ele sonhava tanto com isso, que decepção seria não conseguir ter. Melhor seria que não sonhasse!

E aí que fui pensando assim pela vida. Melhor, para não viver a decepção de não realizar um sonho, não sonhar.

Por muito tempo pensei assim. Mas agora, parece que neste novo e maduro ciclo se abre uma nova janela. E ela mostra muitas possibilidades. Nada de plantação de linguiça. Nada de sonhar com o que vou ser. Acho que agora, finalmente, as janelas se abrem para o desfrute. Vou desfrutar o que sou. Confiar no merecimento de ter aquilo que quero e que batalhei para construir.

Comprar o carro que quero. Que talvez não seja a melhor escolha, mas se me der prazer... será a melhor escolha!

Planejar as viagens que me darão prazer. Sozinha, acompanhada, curta, longa, para lugares distantes ou para lugares muito próximos.

Ler os livros que me deem prazer. Sem preocupação com a aprovação dos outros sobre o que eu leio. E tudo bem se depois de adorar um livro eu ler que ele é reacionário e de qualidade inferior... hahahahahahaha... tudo bem que eu nem tinha notado...

Então agora eu sonho em poder ser eu mesma agora que eu cresci. Resolver coisas da forma que for mais confortável pra mim, da forma que me fizerem mais feliz.

E poder postar um texto curtinho sem nem mesmo reler...