segunda-feira, 11 de setembro de 2023

E SE...

 Meu esforço de viver o presente - tentando praticar mindfulness, fazendo um esforço para caminhar todos os dias, tentando parar  com as listas do futuro e buscando prazer e compreensão de que estas são apenas atividades do presente - parece amparado pelo desejo de muitos outroas. Claro que estamos em um momento que convida a isso, afinal, qual é a garantia que temos de futuro com uma pandemia matadora em curso, com um governo ameaçador fazendo campanha para mais quatro anos de poder e encontrando apoio para isto?...

E a idade também ajuda, ou atrapalha... É difícil quando a gente deixa de se reconhecer nas fotos. Um espanto a cada clique! Mesmo os cliques sendo possíveis o tempo todo! Pior ainda? Não me acostumo e me surpreendo a todo momento com o fato de a cada dia ser mais parecida com as minhas tias do que com a minha filha...

A perda de pessoas importantes - meu pai se foi velhinho, com 93 anos, o que embora torne a perda menos revoltante, não a faz menor - faz com que a gente suba, ou desça, na linha de probabilidade. Meu irmão e eu subimos com  a morte do meu pai! E perceber que dos meus amigos(as) mais próximos só três tem mães vivas (pai eu era a última) também é um tapa na cara, afinal, tenho muitos amigos(as) próximos(as)!  

E aí eu me vejo perguntando... e se este ronquinho no pulmão for uma coisa mais séria? E se minha hora também não estiver longe? E se meus esquecimentos não forem apenas falta de atenção e excesso de tarefas? E se eu não for refratária a Alzheimer como pretendia ser? E se a minha cabeça resolver dar trabalho para os meus filhos e filha? E se eles, especialmente ela, não se convencer de que a vida continua sem mim e me perder não é a pior coisa do mundo????

Por que eu não me acostumo com a liberdade que tenho agora? Ninguém depende de mim! E eu não consigo. Sinto saudades... 

Escrito em 2022 



Depoimento

Aquele estava sendo um ano especialmente difícil. Problemas no trabalho são sempre muito pesados para quem gosta muito e se dedica muito àquilo que faz. E era o que estava acontecendo: o local que eu trabalhava e o Programa que eu coordenava na Universidade, estavam sendo extintos. Levei comigo um monte de equipamentos – com a história de dez anos de trabalho salva nos discos rígidos – e uma equipe de funcionários e de estagiários, para um lugar inóspito, onde ninguém sabia ou queria saber quem éramos, o que fazíamos e o que deveríamos passar a fazer.

De outro lado, em casa, a preocupação com minha sogra (na verdade a mãe do ex-marido, mas pessoa próxima e querida e avó amorosa dos meus três filhos) que enfrentava um agressivo câncer de intestino e alternava momentos de extrema confiança na reabilitação com momentos de muita debilidade, e aflição...

Neste quadro minha filha adolescente teve sua primeira menstruação. E como mãe moderna que sou achei que era o momento dela ter sua primeira consulta ginecológica.

Naquele momento eu andava um tanto desacertada com ginecologistas. Meu ginecologista na época andava tendo o estranho comportamento de não me examinar. Há dois anos não fazia nem exame ginecológico e nem de mamas. Conversava, ouvia queixas – quase sempre inexistentes uma vez que eu sempre tive menstruação regular, nada de cólicas, engravidei quando quis, tive gravidezes tranquilas e cesáreas com fácil recuperação, amamentei meus filhos com facilidade e prazer... – pedia exames e pronto.

Achei que para minha filha  seria mais fácil ter a primeira consulta com uma mulher e por isso procurei uma nova médica no meu convenio. Encontrei uma médica cadastrada que eu já tinha ido anos atrás e achei uma boa referência que ela continuasse conveniada e com consultório no mesmo lugar. Marquei consulta para nós duas: mãe e filha.

Passei novamente por exames que não fazia há algum tempo e, sem dar muita importância, chamei a atenção da médica para um pequeno caroço em minha mama esquerda, no quadrante superior esquerdo, próximo a axila. Fácil de sentir. Eu não havia dado importância e nem me preocupado porque o médico anterior já havia me dito que meu parênquima mamário era denso e por isso era normal a sensação de nódulos...

Ela não pareceu achar assim tão normal: pediu uma mamografia e um ultrassom de mama, junto com os outros exames de praxe, habituais para quem tem um bom convênio, o que é meu caso felizmente.

Ao fazer os exames, se eu fosse uma pessoa preocupada já teria motivos para ficar alerta: fiz e refiz várias imagens, tanto do ultrassom como da mamografia. Mesmo assim, não me assustei ou pensei em nada de terrível. Estava mais preocupada que a minha filha não achasse ruim os exames que estava fazendo... e fiquei feliz lendo os laudos de que seu útero estava em posição normal e que os ovários eram saudáveis e que nada estava errado... com ela.

Quando voltei à minha médica, a leitura dela dos exames foi preocupante e saí de lá com o telefone de um mastologista que atendia meu convenio e um pedido para dois exames especializados: uma mamotomia (que ela já explicou que faria a retirada de uma microcalcificação na mama direita) e uma punção aspirativa com agulha fina no nódulo da mama esquerda.

Fiz os exames em um laboratório especializado e com médicos visivelmente experientes. A mamotomia, apesar do aparato assustador do maquinário de exame foi muito tranquila e rápida. Mesmo o procedimento feito por enfermeira depois do exame: forte pressão do local da sucção e enfaixamento das mamas, não foi dolorido ou assustador.

A punção foi bem mais desagradável e dolorida e a feição do médico não me pareceu tranquilizadora...

Fui ao mastologista já com todos os exames prontos. Ele me tranquilizou muito ao mesmo tempo em que foi muito honesto e claro. Os exames apontavam o nódulo da mama esquerda como maligno (células atípicas), o que ele disse que também poderia ser um dano sofrido pelas células pela própria invasão do exame. Mas, pelo exame clínico ele também considerava provável que o nódulo fosse mesmo um carcinoma (acho que ele não usou este termo) e sugeria a cirurgia de retirada para breve avisando que seria feita uma quadrantectomia (retirada do quadrante atingido pelo nódulo) e, se necessário, retirada do gânglio sentinela, na axila.

Não tive muito tempo para me assustar. Ele me convenceu plenamente de que nada estaria tão ruim, que a ação rápida seria eficiente e que eu ficaria muito bem. Achamos um dia possível para ambos – em programação de fim de ano de mãe isto não é fácil porque tinha primeira comunhão de uma, final de campeonato de futebol de outro, apresentação de ballet no outro fim de semana, apresentação da banda do outro filho na outra semana... -  e marcamos para uma sexta-feira de novembro... novembro de 2006.

A cirurgia foi rápida, simples e eficiente. Quando acordei não sentia dor e só me incomodava um pouco com o dreno. Mesmo com o curativo dava pra ver que meu seio (que é pequeno) continuava lá, o que sem dúvida me tranquilizou.

O médico não demorou muito para vir ao quarto e confirmou que o nódulo de fato era maligno, que havia sido feita a quadrantectomia e a retirada da glândula sentinela. Que estava tudo bem e ficaria tudo bem e que eu ficaria no hospital aquela noite, só por causa do dreno, que ele viria retirar na manhã seguinte. A amiga que estava comigo no quarto comenta até hoje que a minha reação foi a que ela esperaria para alguém que estivesse recebendo um relatório de retirada de amigdalas. Fiquei o tempo todo absolutamente tranquila e certa de que tudo ia bem...

Fui para casa no dia seguinte e tirei uma licença de 12 dias que foi bastante tranquila. Voltei ao médico para fazer curativos, a cicatrização foi muito boa e sem sustos ou reações e a falha no seio não chegou a ser assustadora. Depois de cicatrizado, já no ano seguinte, fui encaminhada para radioterapia, como disse meu médico, só por precaução... para garantir que nenhuma célula danificada resistisse e se reproduzisse.

Paralelamente, minha sogra lutava contra o câncer internada em um hospital de ponta de São Paulo. Mesmo indo vê-la com frequência e acompanhando os tratamentos a que ela estava sendo submetida, uma hora dando a impressão de grande melhora e vitória e em outra apenas provocando um grande abatimento físico e emocional, eu não me senti em nenhum momento na mesma situação e não temi enfrentar o mesmo quadro.

Os quase dois meses em que fiz radioterapia foram bastante tranquilos. Durante este período adotei inclusive uma atitude saudável que era a de ir de ônibus até um determinado ponto e depois caminhar cerca de 3 quilometros até o hospital onde fazia a radio.

Conforme a situação de saúde da minha sogra se agravava eu tinha ainda menos vontade ou condições de falar a respeito do que eu havia tido e até de pensar sobre isto. Estava mais preocupada com a perda que claramente se aproximava da minha família e da dor em ver uma pessoa ainda jovem (65 anos), que sempre foi muito alegre e ativa definhando... Uma mulher grande e forte que tinha entre os seus grandes prazeres a comida, não conseguindo mais fazer mesmo que uma pequena refeição... Cercada de todos os cuidados possíveis, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros... Em alguns momentos ela parecia cansada inclusive de todo este aparato e daquilo que parecia até uma responsabilidade dela: a cura, que ela se sentia culpada por não responder como esperavam.

Mesmo com tudo isto ela foi presente em meu tratamento, recomendando que eu fizesse tudo certinho, que não me descuidasse, que desse importância à necessidade do meu corpo de repouso, que não me desgastasse. Acho que a mensagem dela era: “Não se atreva a morrer e deixar meus netos!” e do jeito que foi possível ela cuidou de mim para que eu me recuperasse bem e atendesse seu pedido/ordem.

Meu tratamento continuou ainda por alguns anos, tomando tamoxifeno, anti-hormônio bem chatinho que antecipou minha menopausa, ajudou para que eu engordasse uns bons quilos desnecessários e deixou minha sensibilidade agudíssima. Em casa todos estavam em picos e baixas de hormônios e picos e baixas de disposição, alegria e tristeza... Eu na menopausa e meus filhos na adolescência.

Em abril de 2007 vivenciamos logo no primeiro dia do mês a triste experiência de ter adolescentes de 13 anos acompanhando o sepultamento da amiguinha de classe, da mesma idade, que se despedia vencida por um câncer no cérebro. No mesmo mês, no dia 21, nos despedimos da avó querida e lutadora que finalmente se autorizou a nos deixar. Neste último mês ela ficou, por sua escolha, em um Hospital com uma ala de tratamento paliativo para pacientes terminais e o apoio psicológico, o suporte para que ela visse os filhos assistidos e ela cuidada para que tivesse o maior conforto possível, mas também a “autorização” para não querer levar aquela vida me pareceu fundamental para que ela tivesse um final mais tranquilo.

Eu estou muito bem. Consegui até fazer, finalmente, um esforcinho bem sucedido pra emagrecer! Falta agora ser disciplinada e voltar a prática de exercícios. Sei que é fundamental e me comprometo agora e aqui com esta próxima atitude.

 
Texto escrito em 1.5.2012 a pedido da Heloísa.

Minha vida interessante

Começar com um domingo de sol e as "minhas crianças" por perto é sempre muito bom. E tem a diversão da cozinha. Como eu gosto destes trabalhos domésticos! Me sinto em estado de meditação divertida entre minhas panelas! Decidir o que fazer, verificar se os ingredientes estão em ordem, e, finalmente, me envolver no preparo! Delícia!!!! Nesse domingo uma festa do porco! Arroz, feijão, escarola refogada e salada mista, sem nada pesado, para compensar o prato principal: lombo e costela de porco temperados na véspera, sem nenhuma parcimônia... farofa com calabresa e bacon... Sobremesa: Pudim de leite condensado. Ficou bom. Para mim faltando um pouco de sal em tudo, mas sal se complementa no prato! kkkk... e o Francisco, que prefere comidas saudáveis e ainda evita açúcar (tirando sorvete e chocolate, que ele nunca rejeita!), se divertiu e completou a refeição com bananas. E depois do almoço, de estar com o coração recarregado de amor e energia, deu até para adiantar a arrumação da cozinha, que estava muito fácil. Depois, só preguiça. E um bom livro! Estou lendo "Memorial de Maria Moura", apaixonada!!!!

Uma segunda-feira diferente! Com pouca coisa para fazer em casa - a cozinha já estava praticamente arrumada - dei só uma ajeitada geral, afinal, não consigo sair sem pelo menos uma vistoriazinha, e lá fui para uma reunião no Cepeusp, com o pessoal do @Butantã + Caminhável! Ai, como essa gente me faz bem!!!! Remédios, Maykell, Marcos, Luis Dantas abrilhantando a manhã... Suzana passando rapidinho... cada um deles me encanta. Me esclarecem coisas que rodam na cabeça sem compreensão, acrescentam ideias, distribuem generosidade. Com eles eu sempre aprendo. E me emociono com o acolhimento; com o compartilhamento do café, da tapioca, das ideias e dos sentimentos. E com eles percebi as coisas que tem pesado para mim no funcionamento da Rede. Uma delas, o fato de não sentir mais as reuniões como um espaço de fortalecimento de cada um e muito mais um espaço de propaganda de cada grupo, foi desmentida a noite, em uma reunião virtual que resgatou em mim a crença de que ainda vale a pena estar na Rede e contribuir para que as reuniões aconteçam. Reunião gostosa, tranquila, com as pessoas interessadas em se ouvir, em participar, em ajudar da forma possível. Reunião para compreender, para juntar forças, para renovar energias. Reunião com um lindo depoimento no final, sobre a importância e o poder da arte e sobre os caminhos que a possibilidade de estar junto abrem.



Perdas. E ganhos.

 Meus pais morreram em agosto. Ela no dia três. Em 1972. Eu tinha acabado de completar treze anos. Foi um mês de chuva, de céu cinza carregado de nuvens. Um mês de dias tristes. No rádio tocava Águas de março. E minhas lágrimas formavam as águas de agosto. Na TV a novela das oito era Selva de Pedra. Triste também, embora eu só me lembre disso: que era triste, que tocava Rock and roll lullaby e que eu amava o ator João Paulo Adour. Foi um tempo de muita solidão. Um tempo de muitas leituras. De sonhos estranhos e consoladores. De paixões platônicas. Foi um tempo de medo e insegurança. 

Quase cinquenta anos depois meu pai morreu no dia 18 de agosto de 2020. Em um ano em que enfrentamos uma pandemia e um governo autoritário e ensandecido. Longe dos 13 anos da primeira grande perda, agora me acostumo ao fato de ser uma senhora. Legalmente uma idosa. Este agosto foi bem mais solar. Apesar de alguns dias bem frios, teve pouca chuva e eu não estive sozinha, mesmo com todas as restrições ao convívio social. Não tive sonhos consoladores, fiz leituras mais preguiçosas e tento olhar mais pra dentro de mim mesma. 


Sobre mães e férias e preenchimento de vazios...

 O almoço na casa da minha tia saia cedo. As 11h a mesa estava posta e nós acordávamos para almoçar. Uma comida sempre deliciosa. Quase me lembro do gosto. Aquela casa cheia de primas, de aconchego, de sabores e perfumes me encantava. A cidade com o céu mais cheio de estrelas que já vi. A descoberta do desejo. A delícia de ouvir a rádio local. Os bailes, as fofocas, confidências...

Sinto saudades da viagem, algumas vezes feita de trem. Que delícia. Parando em cada estação. Me deu uma noção bastante esquisita da localização das cidades. parece que a ordem era trocada... na minha cabeça ficou marcada uma ordem que provavelmente eu construí, com as referências que tive: Dois Córregos, Jaú, Itirapina... o trevo de Brotas! A estação. Até hoje tão bonita. Pena que não param mais trens lá.

E como era bom tudo aquilo... tantas primas para admirar... a linda, a rebelde, a boa amiga, a independente, a séria... e naquela casa de mulheres um pai sério e ao mesmo tempo terno. Talvez não fosse realmente assim, mas na minha cabeça aquela casa e aquela família eram a imagem da mansidão, da harmonia, das coisas corretas. Tudo era como deveria ser.

Minha tia era uma presença de mãe magnífica! Ela é até hoje. Eu sempre admirei mães, mesmo antes de perder a minha. A Tia Terezinha foi uma presença tão importante neste momento em que um grande buraco se abriu na minha vida. Uma das minhas mães, com quem aprendi, a quem procurei copiar, a quem sou profundamente grata. 

Cicatrizes

 Tempo, tempo, tempo, tempo...

Nunca me importei com eventuais cicatrizes em meu corpo. Achava natural que algumas marcas ficassem, em geral de eventos importantes. Minha boa cicatrização também ajudava. Uma marca escura na batata da perna direita me lembra até hoje que escapamentos de moto queimam. E que a minha cicatrização de queimaduras não é tão boa. Mas, mais que isso me lembra de uma época maravilhosa em que eu até andava de moto!

Tenho pensado muito em cicatrizes. O que elas me recordam? Quanto me limitam? Hoje fiquei pensando, enquanto fazia yoga, em quais conclusões um médico tiraria sobre a minha vida em uma necrópsia. Macabro? Não foi essa a ideia. Achei até engraçado. 

Se for um médico ou médica atento, logo deduzirá que eu gostava de cozinhar. E que era um pouco estabanada na cozinha. Talvez pelo desejo de fazer sempre muitas coisas ao mesmo tempo. Minhas mãos e braços tem várias marcas: forno quente que fechou na altura do cotovelo, marcas de grelha de forno, queimadura de caramelo (esta é muito irritante porque é pequena e feia! E quantos pudins eu já fiz na vida? Fazendo um calculo rápido devo ter feito mais de 400! Então queimar a mão caramelando forma no 401º é o fim!)...







Lu e Maró

 Por que a gente se perde de pessoas que amamos? Sem nenhum desentendimento, sem briga, sem grandes mudanças geográficas... 

Continuamos quase vizinhas. Mantivemos os mesmos números de telefone por anos e anos. Nossas vidas nem sequer tomaram rumos inesperados ou surpreendentes. Mas nos perdemos. Mesmo sem esquecer. Mesmo sem deixar de querer bem, nos perdemos. 

Um ou dois encontros em trinta anos. Um enterro, um encontro casual... 

Uma notícia assustadora. É agora ou nunca mais! E assim, timidamente nos reencontramos.

Com a minha velha teoria de que sou eu que sempre falho ou falto, cheguei procurando desculpas, justificativas, sem coragem de perguntar sobre o que se passa, só querendo justificar minha falta no passado, talvez até prevenir de uma futura falta também no futuro...

Não era necessário. Não eram solicitadas justificativas. Afinal, eu também não precisava delas para voltar a me sentir próxima, para nos reencontrarmos, para saber que alguns elos tem vínculos tão fortes que se refazem sem necessidade de grandes cirurgias. Não são necessários pedidos de perdão, desculpas, explicações. Basta a presença. E, assim, nos reencontramos.

Quinhentos anos de vida para colocarmos em dia. Muitas lembranças para resgatarmos. Algumas absolutamente iguais e complementares, outras tão diferentes que parecem inventadas por um lado ou pelo outro.

Conversas que se estendem por horas. E poderiam continuar por outras tantas horas... 

O que temos ainda por aqui? Quantas horas serão possíveis? Quanto conseguiremos acertar o passo de nossas conversas? Quanto eu ainda poderei aprender? 

Por que os chamados e a permanência? O que ainda te mantém aqui? Quais são os seus medos? Quais são os meus medos?

O que aprendemos com as aflições que passamos? 

E assim tive a oportunidade de me despedir. Talvez tenham faltado encontros. Algumas perguntas eu não tive coragem de fazer. Algumas histórias vividas nós não lembramos. 

Que possam cair as lágrimas e que permaneçam também as risadas. Saudades da amiga mais antiga.